Insônia

17 ago

02:10 da madrugada do dia 17 de agosto, crise de insônia…

Fora da internet, escrevo esse post no bloco de notas e vou postá-lo depois…

Pretendo acordar às 6, mas ainda nem dormi. Cheia de coisas na cabeça, expectativas, emoções…

Ainda não havia percebido (ou resolvido assumir) a falta que farei pra minha mãe e a falta que ela fará a mim…

Pra começar essa história, retomemos o meu passado.

Sou filha de uma família de três irmãos.

Os outros dois são homens e com diferenças de idade com relação a mim de 15 e 18 anos. Nasci com uma mãe, na época, com 39 anos e um pai com 47 anos! Hoje isso é comum, mas há 24 anos atrás não era!

Não sou tão apegada a meu pai quanto sou à minha mãe. Ele era motorista de caminhão (hoje aposentado) e viajava muito. Como sou a “rapa do tacho” fui criada com todos os mimos e apegos a ela. Somos uma pela outra há 24 anos.

Pra se ter uma ideia, em 24 anos, dormi longe dela apenas 2 dias. Foi em 2005, quando viajei com o meu irmão pra um show.

Somos apegadas, brigamos, choramos, discutimos, sofremos, rimos e vivemos até hoje muito juntas. É difícil pensar em separação.

Do jeito que eu tô contando parece que eu vou mudar pra China ou vou seguir em missão espacial pra lua, né?!

É, eu sei…

Nem de cidade eu vou mudar.

Mas pra 24 anos de uma proximidade tão forte, de uma ligação tão profunda, sem irmãs, primas, avó ou tias, é como o meu coração se sente…

Ela é a mulher com quem tenho mais proximidade.

Não conheci minhas avós, essas falecidas antes de meu nascimento, não sou próxima a nenhuma tia ou prima. Somos somente eu e ela.

É um misto de sentimentos.

Juntam-se a alegria de finalmente ficar pra sempre junto do amor da minha vida e construir com ele uma família e uma certa dor em ter esse ciclo de mãe e filha na mesma casa encerrado.

*Pausa pra chorar*

Sabe que eu vou sentir saudades dos esporros sobre banhos demorados, quarto bagunçado, tv e computador ligados um tempão, chegar em casa depois das 11:30 da noite (sim, Dudu me deixa em casa religiosamente nesse horário!), sobre não ajudar em nada dentro de casa…

Vou sentir saudades de ligar pra ela me buscar na faculdade ou no trabalho, do café da manhã e da tarde regado a loooooooooooooooooongas conversas que tanto nos ensinaram (*chorando muito*), dos passeios à tarde no centro da cidade com os almoços por lá mesmo, das mensagens no celular, da espera no portão ou no ponto de ônibus quando eu volto do trabalho mais tarde…

Vou sentir saudades de cada palavra, cada gesto e de todo o apoio e criação que ela me deu e que me permitiu que eu chegasse até aqui.

Vou sentir falta da forma como ela me trata, que, por mais que eu esteja à beira de completar 1/4 de século, ela me trata como se eu tivesse 12 anos.

É, mas já se vão 12 anos que eu fiz 12 anos…

Cresci.

Vou me casar!

Ela adora o Dudu, mas sinto que, por mais que o veja como um membro da família, ela está sentido por esse fim de etapa e início de outra.

Não vou me separar dela. Apenas não moraremos mais na mesma casa.

Ela não vai sentir mais que tem uma responsabilidade sobre mim e continuaremos juntas pra qualquer coisa.

Mas mesmo que eu tente ver por esse lado, sei que doerá.

Pra ambas.

Afinal, estamos sempre em constante transformação. Não somos mais crianças, nem adolescentes…

Não é que acabou, transformações ocorreram e ocorrerão. Mas sei que no começo doerá.

Falando em crescer, essa insônia (em Uberlândia, 02:50) foi mais um sinal da minha percepção sobre o tempo…

Desde que saí da faculdade, parece que tudo começou a passar mais rápido, ou… Sei lá… O tempo e a conjuntura me fizeram “cair na real” sobre algo que já estava acontecendo: o passar do tempo.

Encarei a faculdade como uma extensão de minha adolescência.

Lalah também encarou e essa se tornou a dupla perfeita pra faculdade mais cara de “Ensino Médio” que já existiu!

Medo de crescer? Quem sabe…

Talvez tenha sido uma forma de procrastinar uma fase tão boa (e aproveitar as carinhas ainda não aparentado a idade que tinham!).

Depois que saí de lá, tudo veio de repente.

Eu e Dudu voltamos, me formei, ele se formou, comecei a vida (difícil) profissional e ele também, noivamos, começamos a nos preparar pro casamento…

Tudo em 2 anos. Vi o sonho de anos e uma nova realidade se fundirem em um curto espaço de tempo.

Foi bem intenso. E ainda é.

A cabeça mudou, a adolescência finalmente passou.

Não tenho ideia de quem seja Miley Cyrus, Lady Gaga ou Lily Allen, nunca ouvi nenhuma música do Jonas Brothers, nunca vi a cara do McFly, não vi “Camp ROck”, nem “Hanna Montana” quiçá “High School Music”, não li (nem pretendo ler) “Crepúsculo” e seus desdobramentos, desconheço o novo single da Beyoncé e não vi ainda nenhum clipe da Britney depois da Rehab (apesar de ser fã dela desde “Oops… I did it again!”, algo certamente distante pra quem tem 12 anos e gosta dela hoje).

Leonardo DiCaprio não é mais a febre da meninas, Backstreet Boys não vendem mais 1 milhão em 1 dia, a Britney não namora mais o carinha do ‘N SYNC e o carinha do ‘N SYNC nem é mais do ‘N SYNC, pq o ‘N SYNC já acabou há anos…

Não há mais Five, Spice Girls, o Kevin já não canta mais nos Backstreet Boys, a Britney já não tem o mesmo corpo e o brilho dos olhos de antes, o Michael Jackson não pertence mais a esse mundo e os 3 irmãos da vez têm como sobrenome “Jonas” e não “Hanson”…

Não conheço as meninas das capas da Capricho, nem da Atrevida. Aliás, eu não compro mais Capricho e Atrevida.

Não uso roupa colada, calça apertada, nem barriga de fora, nem taaanto rosa. Meus All Stars estão encostados, porque salto alto deixa a mulher mais elegante… Não pinto o cabelo mais por diversão e sim por necessidade e hoje não sou apenas aluna e sim professora.

Se eu como, eu engordo, se eu fico sem dormir, tenho olheiras e não consigo mais passar a madrugada estudando.

Não escrevo mais em agendas e não tenho tempo de sonhar acordada. Tenho uma vida pra levar, sonhos que eu construí a minha adolescência toda para concretizar com o Dudu…

Apesar de não ser mais aquela adolescente e estar prestes a sair das asas de mamãe, sinto que tudo vai ser melhor.

Sinto que, mesmo doendo demais, vamos ficar ainda mais unidas e amigas e essas novas posturas irão nos tornar melhores, mais maduras…

Agora seremos duas mulheres, duas grandes amigas. Ela, com o dever cumprido de ter me criado e ter sido tudo da melhor maneira possível e eu casada, com meu novo lar, mas sempre tendo minha mãe comigo e podendo ser agora também, um pouco mãe dela, pra tentar retribuir tudo que ela fez pra mim.

A adolescência se foi?

Sim…

Mas foi boa enquanto durou e deixou as melhores recordações.

A fase “filhota” também está acabando?

Mas dará lugar a uma vida de mãe e filha ainda melhor.

O bebê da mamãe, sem grana, estudante e com a cabeça na lua é e será agora uma dona de casa (e da casa), que trabalha, que amadureceu e tem reponsabilidades.

E que um dia será também mãe e passará novamente por essa situação que, apesar de dolorosa, serve pra mostrar que não estamos sozinhos e nem estagnados. Tudo muda e sempre há no nosso coração lugar pra mais amor e pra experiências e vivências novas.

A fase “mãe” também dará lugar à amiga, companheira, sem aquela preocupação de exemplos ou cobranças. Até o ritmo de vida será mais tranquilo…

Minha mãe não vai ler nada disso que estou escrevendo (não agora, pois vou imprimir e deixar com ela quando eu sair pra lua-de-mel), mas, mesmo assim quero dizer pro mundo inteiro que eu a amo demais e agradecer por tudo que ela fez e faz por mim. Cada renúncia, cada febre e alergia curada, cada almoço, janta, café, e “agradinhos” trazidos da padaria à tarde, cada palavra de carinho, cada rala, cada alerta… Tudo, tudo me fez melhor, mais forte e me fez admirá-la sempre mais.

Valeu mãe por tudo!

E não pense que vai tirar férias de mim não, viu?! Heheheheheh!

Bom, é isso!

 

Já são 03:47 da madrugada, vou tentar dormir.

Beijos,

Fiquem com Deus.

Com carinho,

Naná.

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8 Respostas to “Insônia”

  1. Ana&Rogerio 02/09/2009 às 9:54 AM #

    Quando as palavras traduzem sentimentos…
    Oi Naná…
    Quanto tempo não venho aqui.E essa semana tive a oportunidade de ver que homenagem linda vocÊ fez a sua mãe.
    Cada linha que li parecia que alguém estava tinha descoberto meus pensamentos nesses ultimos dias.
    Caso no final desse mês…e desde então não paro de pensar em como será minha vida nova longe de mamis.
    É nessa hora que percebo como ela é parte essencial de mim.
    Estou feliz também em começar essa nova vida,ela também.
    Fiquei muito emocionada e acredito que só em momentos como esses de reflexão que podemos perceber como os laços de sangue, o carinho e a cumplicidade fortalecem nosso sentido de existência.

    Parabéns pela palavras, pela forma de tocar as pessoas e por traduzir as bençãos que Deus realiza em nossas vidas quando nos proporciona esse amor incodicional de Mãe que é capaz de torna pessoas fortes e dignas de viver e recriar nossa propria felicidade.

    Bjussss

    Muita, muita felicidade e paz na sua vida.
    Que esse brilho no qual você faz refletir em nós seja cada vez mais forte e que fiquemos juntos para dividir momentos tão intensos e inesqueciveis.

    Ana Maria

  2. Tatiana Lambert 21/08/2009 às 8:25 AM #

    Ô Naná… eu entrei no blog para ver uma novidadezinha, algo que deixasse essa sexta-feira mais animada, e você me fez choraaaaaaaaaaaaar, rsrss. ((Não pode chorar no escritório, deixa eu me recompor…))

    Olha, essa sua história é *Control C, Control V* para muitas de nós… no meu caso, com algumas modificações, rsrsrs.

    Parabéns por expressar em palavras os sentimentos que se passam aí no seu coração, e são reflexos dos nossos sentimentos também.

    Beijos diretamente de Fortaleza/CE, onde hoje, plena sexta, 08:24, tá com a maior cara de que vai chover…

  3. Yukari Uehara 19/08/2009 às 1:54 PM #

    Parabéns pelas lindas palavras, com certeza sua mãe sentirá muito a sua falta. Pelos seus relatos dá para sentir até os momentos que você passou com a sua Mamãezinha. Bom, eu também estou na mesma situação que você… vou casar e sentirei muita falta do colo da mamãe! Ótimo blog, agora serei sua “seguidora” pois adorei a forma de você se abrir para suas leitoras que passam pela mesmíssima situação. Parabéns!

  4. Taisa 18/08/2009 às 6:54 PM #

    Lindo mana *.*
    As vezes eu fico aki pensando q minha mae nao tá nem aí pra mim.
    eu nunca fui minha apegada a ela, nunca fui de conversar com ela feito amiga.
    mas nas pequenas coisas é que ela demostra que se importar comigo,
    e só agora meu boyfriend me fez abrir o olhos pra isso,
    ele sempre diz “claro q sua mae liga pra vc!”
    ai eu digo “liga nada! tá nem aí pra mim!”
    Agora eu percebo. Seja numa cara feia que ela faz qndo eu fico o dia inteiro fora, ou qndo ela se preocupa em me avisar que meu pai nao quer que eu fico debaixo das cobertas vendo tv com o victor no meu quarto kkkk.
    Eu não sei o que eles acham dele, eles não me disseram nada até agora, mas parecem que gostam, ou simplesmente respeitam e aceitam o fato dele ser meu namorado agora.
    Sinto que eles estão se acostumando ainda com a ideia dessa coisa de ‘namorado’ porque os outros que eu tive eles nem chegaram a conhecer e dessa vez é diferente, ele frequenta minha casa.
    Então, percebo que minha mãe tem noção da intenção que victor tem comigo, que ele me ama de verdade e um dia vai me tirar de casa… Só não sei como ela vai reagir qndo acontecer.

  5. Lalah Lee 18/08/2009 às 4:56 PM #

    Ai, mana, que post triste, mas sincero, né?

    Com relação à sua mamy, penso que deve ser mto duro mesmo se separarem, pelo tipo de relação que vcs possuem. Mas qdo estiver lá, casada, no conforto do seu lar, eu tenho certeza que sua mamy sempre vai estar te esperando, quando vc precisar. Ah e tem eu tb, né, sua irmã de coração, que mesmo ainda não tendo amadurecido tanto qto vc, mas já tendo melhorado bastante, estarei com meus pensamentos sempre com vc.

    ps-> Foi tão especial nosso prolongamento de adolescência, que pra mim, eu sinto que fizemos td exatamente na hr certa, do jeitinho que eu sempre sonhei…

    Amo mto vc!

  6. Nana 18/08/2009 às 2:03 PM #

    chorando muito também… =’)
    mas é muito boa a fase da convivência de casal… e mesmo longe da mãezinha, é tudo uma delícia… assim como cada fase da nossa vida tem uma parte deliciosa e outra difícil….hehe
    me identifiquei demais com seu texto….
    posso postar ele no meu blog depois?
    Mas só se você deixar minha xará…hehe
    Beijos..e aproveite bem cada fase (diferente) da sua vida…

  7. Tainá 18/08/2009 às 10:28 AM #

    Que lindo Naná!
    Sabe, eu sinto exatamente a mesma coisa. Ainda falta 1 ano pro meu casamento, mas as vezes me pego pensando nessa separação. Tb sou muto agarrada a minha mãe. Nem quero pensar em como vai ser quando finalmente sair de casa pra construir minha vida do lado do meu amor. Sei que vai doer mto, mas tb sei que será uma nova fase, cheia de coisas boas tb, e que somente a maneira de se relacionar vai mudar um pouco, pois não estaremos juntas todos os dias, mas nossa relação, nosso amor, jamais vai mudar…

    Bjssssss

  8. fernanda 18/08/2009 às 12:18 AM #

    que linda história de amor essa sua com sua mãe!.. eu tb vou sentir muito qdo sair de casa, minha mãe tb… sou filha caçula, com uma irmã já casada e meus pais são separados, ou seja, moro eu e ela somente (ah!.. e nosso beagle, claro!!) e minha saída vai marcar uma fase diferente para nós duas. a saída do meu pai marcou, a da minha irmã, sem dúvida, mas a minha é a última… e talvez a que a fará se sentir mais sozinha do que nunca!.. isso me aperta o peito, dá uma certa angústia, mas tento muito pensar que a vida é feita de ciclos e que as casas em que vivemos mudam, algumas posições que ocupamos na vida mudam, de alunos a profissionais, de namoradas a noivas… depois esposas, mães!! mas se tem uma coisa que NUNCA vai mudar, apesar do tempo correr e provocar muitas alterações em tudo e em todos é o AMOR QUE NOS UNE ÀS NOSSAS MÃES!.. isso é inabalável!!! e é assim que sempre vai ser!.. AMOR INFINITO!!

Comentários encerrados.

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