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Papo OFF: Coisas sobre a Índia que você não irá aprender em “Caminho das Índias” (parte I)

14 mar

Oi, meu povo!

Que eu tenho uma certa birra com a novela das 8 todo mundo já notou! (Até porque não falo questão nenhuma de esconder)!

 Nem ando vendo todos os capítulos! Sei lá, às vezes acho a bizarrice despretenciosa dos Mutantes da Record mais honesta que a tentativa de fidelidade à cultura indiana pregada pela novela da Globo.

Acho que é por isso que sempre gostei de novelas mexicanas. São novelas que tem noção do esteriótipo de “bregas” e de enredo sempre igual e que não fazem questão nenhuma de mudar isso. São honestas com a sua condição.

Já as da Globo, são as “bregas metidas a chique”. E isso me irrita profundamente!

Sempre tem uma que engravida sem casar, uma que rouba marido da outra, um corno (ou mais) uma prostituta (ou mais), uma criança-prodígio que faz papel de órfã de mãe ou de pai, dentre outras “historinhas água com açúcar”! Quer coisa mais mexicana que isso?!

Não vejo diferença. Ou melhor: vejo. As Mexicanas são dubladas, as da Globo não!

Não busco encontrar em novelas uma narrativa clássica. (Até porque Dudu me deu “Histórias Extraordinárias” de Edgar Allan Poe, que dispensa comentários).

Busco encontrar (sim) algo honesto. Honesto com a sua condição de “entretenimento de povão” e que não queira pagar de “narrativa épica”, como é o que a Globo insiste em fazer com as suas novelas.

Já notou que as novelas que se passam no meio rural são sempre a mesma coisa? Um casal que se ama e não pode ficar junto por algum motivo e no final este motivo cessa e eles casam e tem filhos.

Paraíso, Cabocla e as demais “rurais” das 18h são praticamente a “saga” das Marias vivda por Thalia (Maria do Bairro, Marimar, Maria Mercedez, etc.): mesmo enredo, mudando apenas personagens e espaço. No caso das da Globo, nem o espaço!

Por isso minha implicância com novelas globais e saudade das mexicanas…

Bom, mas não foi pra isso que vim aqui!

Recebi um texto sobre um documentário de psicanálise que vimos na aula do mestrado e ele trazia uma informação muito interessante que quero passar pra vocês. É sobre a Índia e provavelmente a Glória Perez não transmitirá na novela. Afinal, isso não é “tema social atual”, nem manipulação de cultura!

Veja só:

“O zero como signo só foi inventado muito mais tarde, pelos indianos, por volta do século VI da nossa era, ou seja, há somente 1000 e tantos anos.

Isso foi possível porque os indianos assimilaram ao mesmo sistema númerico ao menos duas conquistas que haviam preparado o terreno: a base 10 e o sistema de notação posicional.

Entre os sumérios e os babilônios a base era 60. A base 10 já era conhecida pelos chineses e parece ter sido criada por volta de 200 a.C.

O problema de contagem de grandes magnitudes inviabilizava o acúmulo de traços (já pensou escrever alguns bilhões de anos-luz?). Uma solução para isso foi o sistema de notação a partir da posição ocupada pelo número, tal como o utlizamos hoje, com as ‘casas’ da unidade, dezena etc., isto é, estabelece-se a casa decimal e sua orientação de cresciemento ou diminuição na ordem de grandeza oscilando no eixo da escrita.

Havia ainda um outro problema: como falar da ausência de alguma posição para exprimir um número? Por exemplo, como distinguir 31 e 301? Ou 31 e 3000000001? Foi nesse momento que os indianos passaram a utilizar a palavra ‘vazio’ (sunya) e assim estabeleceram o zero como número. Nesse exemplo, 301 poderá então ser escrito pois designa 1 unidade, 0 dezenas e 3 centenas. Obviedade não? Séculos de escuridão e mecanismos altamente trabalhosos para se chegar até ela…”

(In: A função do vazio – Maria Lúcia Homem)

Bom é isso!

Sabe de alguma coisa sobre a Índia que não passará na novela?! Envie para nós que publicaremos!

Abraços,

Com carinho,

Naná.

 

 

 

 

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Papo [OFF]: Caminho das Índias – A saga continua!

7 fev

Hoje, em nosso papo off!, venho criticar e rever certas coisas!

Primeiro: Os personagens de Juliana Paes e Alexandre Borges continuam trilingues, falando em parte o inglês e em parte o português em suas transações bancárias e renovando em mim a curiosidade: A indiana fala português ou o brasileiro fala hindi? (e por essa razão, a conversa é passada para o português?!)

Não entendo!

Segundo: A Rakelli continua encostada na pobrezinha da Isis… (Principalmente quando ela solta seu “oh, mãe”!)

Terceiro: Graças ao bom Deus, o toque “Telecurso – Índia” diminuiu consideravelmente! De uma maneira bem eficaz, a autora agora passa as lições sobre a cultura ou entranhadas no próprio contexto dos personagens ou de uma maneira que ontem achei muito fofa.

Viram a cena em que o Tony Ramos ensinou sobre a cultura para, senão me engano, filha dele?! Em concomitância a Mara Manzan fez o mesmo com a filhota dela!

Ponto pra novela! Crianças são curiosas e pais passam o dia ensinando coisas a elas! Isos é uma óima deixa para a apresentação da cultura indiana!

Outro ponto positivo pra novela foi que o número de traduções dos termos diminuiu! Muito bom… Parabéns pra Tia Glória!

Ah… Mas não posso deixar passar dois furinhos básicos aqui! Nem seriam furos… Seriam questionamentos meus…

1. Meu Deus, a Duda tá pensando que a Índia é o quê? Uma cidadezinha de interior?

Tipo, ela falou que vai pra Índia encontrar o Raj (decorei o nome dele pq me lembra “Rajagopalan”, um lingüista indiano que é professor, se não me engano, em Campinas) parecendo que ia ali na casa da tia Cleide em Monte Carmelo e que em meia hora ia encontrar a casa do vendedor de tecidos!

Mais surreal que isso só a ponte aérea “Brasil e Marrocos” de “O Clone”!

2. Outra coisa: um Brahmani não é uma casta tida como “superior”, em que muitos de seus membros são conselheiros e purificam as outras castas?! Ok, mas peraí: êta sujeitinho fofoqueiro aquele Pandit! Vigia a família do personagem do Osmar Prado o dia inteiro parecendo a Tia Cleide reparando o corpo de noiva grávida!

E a esposa dele?! Leva-e-traz típica de novelas globais…

Quer coisa mais “baixo nível” que fofoca? E eles, Brahmanis, agem assim?! Estranho, não?!

Na boa, acho ocidentais demais as atitudes deles… Aposto numa leve deturpação da postura da casta… É minha opinião!
Ah… Não rolou a dublagem do “Hoje não, Márcio”…

A Maya continua MUUUUITO na dele (prova de que ela não foi ao programa só arrumar o cabelo com produtos Niely! heheheheh)

Bom, por enquanto é só!

Beijos,

com carinho,

Naná.

OFF: Caminho das Índias?! Hoje não, Márcio!

2 fev

Olá, noivinhos que adoro tanto!!!!!!!!!

Ok, eu sei que isso aqui é um blog sobre CASAMENTOS! (Dã, fui eu quem criou, sei disso, neah?!)

Tá, eu vou casar, mas nem por isso eu deixo de comer, dormir, fazer mestrado, procurar emprego e… ver novela! (Ou pelo menos, tentar ver).

Tem diiiiiias que estou ensaiando um comentário sobre a novela “Caminho das Índias” aqui, mas ainda não havia tido “A” motivação. Depois que li em vários blog e sites e até mesmo no Orkut que a audiência da referida novela não ia nada bem, isso me motivou…

Alguém já parou pra pensar se o que é mostrado na novela é real, total e completamente a realidade da Índia?

Alguém já percebeu os furos dessa novela?

Vamos a alguns deles (Sim, alguns, pois não tem como eu ver a novela todo dia):

1. Alguém já percebeu que no meio de celebrações e rituais tem sempre um personagem que fica explicando pro outro os procedimentos e motivos do ritual? Um exemplo: no dia que o personagem do Ricardo Tozzi estava se preparando pra casar, as mulheres da família dele começaram a explicar o ritual “pré-casamento” a ele e relembrar os preceitos do Kama Sutra ao noivo…

Peraí… Mas ele não é indiano? Deveria saber disso, não?!

E o Tony Ramos (sei lá o nome dele na novela) que toda vez que sai de casa e vê algo que é sinal de azar ou que atraia coisas ruins insiste em explicar o porquê daquela atitude e o que deve ser feito para “revertê-la”?

Mas peraí de novo… Eles não são indianos? Não sabem nada disso?

Ok, eu sei o que você vai dizer (a minha mãe já me disse): “Ah, Naná, eles fazem assim pra explicar ao público os costumes da Índia, mostrar a quem tá vendo a novela, como funcionam as tradições de lá…

Hum… Mas não dá pra fazer isso de uma forma mais discreta e menos explicada não? Do jeito que a autora escreve e insere tais informações, sempre me dá a impressão de que o que eu estou vendo não é uma novela e sim uma aula de Telecurso sobre a Índia!  Só faltou o “Vamos pensar um pouco”…

Patético!

Personagens que ensinam e aprendem... Novos astros do Telecurso das 8!

Personagens que ensinam e aprendem... Novos astros do Telecurso das 8!

2. E a tradução simultânea de termos? Sempre falam o termo e traduzem em seguida! Oh, querida Glória, já ouviu falar em “língua instrumental”? Uma pessoa quando exposta a um termo de uma língua estrangeira consegue sim entendê-lo pelo contexto… Se não conseguir da primeira vez, em outras ocasiões entenderá!

3. (Pra mim a pior!) Viram uma cena em que a Juliana Paes estava trabalhando no Telemarketing e houve uma “pequena” confusão nos idiomas?!

Foi assim: ela atendeu o personagem do Alexandre Borges em inglês que respondeu também em inglês. Depois, ela conversou com a personagem da Cacau Melo em português (até aí, beleza… afinal eles trocam o “hindi” pelo português). O “fora” veio depois, no momento em que o inglês foi deixado de lado e ela e o Alexandre Borges começaram a fazer as transações bancárias em português!

Mas peraí… Não entendi… Por que a conversa começou em inglês e depois passou pro Português?

Devo entender que eles estava falando em Hindi e por não entendermos a referida língua ela foi passada para português? Ou será que a Maya sabe português e quando vê que é alguém falando do Brasil ela pára com o Inglês? Trilingüe a moça, é isso?!

Sinceramente não entendi… A conversa não deveria contituar em inglês? Por que parou? Parou Por quê?

Maya, a moça trilingüe!

Maya, a moça trilingüe!

4. E o Márcio, gente?!

Não, eu não dou conta de ver essa novela com o Márcio de protagonista. Logo ele que pra mim… Vai ser eternamente o Márcio do “Melhor do Brasil” da Record… Mais especificamente do quadro “Vai dar namoro”…

Poxa, o “Hoje não, Márcio”, vai ficar marcado nos anais da televisão brasileira! Espero ansiosamente o dia em que o Márcio for lá com a família dele pedir a mão da Paes em casamento só pra abaixar o volume da televisão e dublar o Osmar Prado dizendo: “Não… Hoje não, Márcio!” Esse momento já aconteceu?! Espero que não!

Ah... Hoje não, Márcio!

Ah... Hoje não, Márcio!

5. Ah, ainda tem a Rakelli que não desencosta da Isis Valverde de jeito nenhum!

Rakelli - Entidade que precisa ser urgentemente exorcisada!

Rakelli - Entidade que precisa ser urgentemente exorcisada!

Enfim… 

A fórmula típica da autora Glória Perez: “novela temática mostrando alguma cultura dita ‘distante’ da realidade do povo brasileiro, agregada à abordagem de algum tabu ou tema polêmico”, na minha opinião, já esta desgastada…

Isso na época do Clone ainda funcionava… Creio que hoje, com o avanço e popularização da internet e com o “google”, se alguém quiser saber mais sobre a Índia, há meios fáceis e mais eficazes de se conhecer do que ficar meses vendo uma novela que ocidentaliza uma cultura e retrata apenas a visão que a autora tem… (Partindo do princípio que cada um de nós imprime nossas impressões sobre determinado dado, sendo a “imparcialidade” uma utopia).

Podem esperar pra ver: Com a fórmula “Helena, Leblon e Bossa Nova” do Manoel Carlos vai acontecer a mesma coisa…

O público se acostumou à dinâmica em que se encontram os meios de comunicação… Insistir nas mesmas fórmulas e ter a sensação de que já viu aquela novela antes não cabe mais…

O padrão de qualidade Globo é isso?! Precisa ser revisto então…

É só!

Beijos,

Com carinho,

 

Naná!